As Doenças do Mergulho e de Ambientes Pressurizados

Os ambientes pressurizados podem causar vários tipos de doenças:

Barotraumas

É a causa mais freqüente de lesões e de desqualificação para o mergulho e para o trabalho em ambientes pressurizados. São causados por obstruções à livre movimentação do ar nos espaços aéreos do organismo, particularmente nas cavidades aéreas cranianas*. Podem levar à lesões graves, permanentes e incapacitantes.

Barotraumas Timpânicos




*Cavidades aéreas cranianas

Embolia Traumática Pelo Ar

É a doença mais grave e de evolução mais reservada que pode acometer mergulhadores. Pode evoluir muito rapidamente para déficits neurológicos, motores ou intelectuais importantes e permanentes ou para o óbito. Exige tratamento agressivo com recompressão e drenagem torácica o mais rapidamente possível. Pode se apresentar de forma indistinguível da Doença Descompressiva tipo II (forma neurológica central).

Embolia Traumática Pelo Ar

Doenças Descompressivas

São as mais freqüentes nas atividades de mergulho e em trabalhos em ambientes pressurizados. Podem se apresentar basicamente em duas formas:

  • Tipo I: manifestações dolorosas articulares associadas à impotência funcional ou manifestações dermatológicas como prurido, eritema, etc., entre outros sintomas periféricos.
  • Tipo II: manifestações cárdio-pulmonares como tosse intensa, dispnéia, arritmias cardíacas, infarto agudo do miocárdio e parada cárdio-respiratória; ou manifestações neurológicas, periféricas ou centrais, que podem ir de distúrbios de comportamento e sonolência à hemiparesia, hemiplegia, paraplegia, incontinência urinária e fecal e ao coma superficial ou profundo.

Na realidade há uma grande quantidade de sinais e sintomas documentados, decorrentes de doenças descompressivas.

A Embolia Traumática pelo Ar (ETA) e as Doenças Descompressivas formam o grupo cujo tratamento básico é a recompressão terapêutica, através de protocolos especiais conhecidos como tabelas de tratamento.

A Embolia Traumática pelo Ar (ETA) é a doença mais grave e de evolução mais reservada que pode acometer mergulhadores. Pode evoluir muito rapidamente para déficits neurológicos, motores ou intelectuais importantes e permanentes ou para o óbito. Exige tratamento agressivo (recompressão) o mais rapidamente possível. Pode se apresentar de forma indistinguível da Doença Descompressiva tipo II (forma neurológica central).


Doença Descompressiva da Pele
(Cutis Marmorata)

Narcose Pelo Nitrogênio

Uma ocorrência freqüente que faz parte da história e do folclore do mergulho. Teoricamente, pode ser prevista pela equação de Meyer-Overton, desenvolvida em 1899 e que estima a potência narcótica de um gás inerte, em decorrência de sua taxa de solubilidade óleo/água e de sua pressão parcial. Em geral, à partir de 6 atmosferas, ou seja 50 metros de profundidade, o nitrogênio exerce um efeito narcótico, produzindo a "embriaguez das profundidades", tornando o mergulho potencialmente letal devido à desorientação e perda da capacidade de reação lógica e de julgamento que provoca.

Narcose Pelo Nitrogênio

Hipotermia

No mar, a temperatura é frequentemente muito mais baixa do que a temperatura corporal, e quanto mais profundo é o mergulho, maior essa diferença. O uso de vestimentas especiais é necessário e constitui item de segurança. Podem ser definidas como roupas secas porque mantêm o mergulhador sem contato direto com a água em quase toda a superfície corporal; roupas úmidas porque mantêm uma camada de água entre a pele e a face interna da roupa, para conservar a temperatura; e roupas que recebem aquecimento com água morna à partir da superfície. A hipotermia pode provocar arritmias cardíacas severas e parada cardíaca.

Intoxicação por Gases

No mergulho profundo (Mergulho Saturado) e no trabalho em ambientes pressurizados, o controle da qualidade do ar respirado e de sua composição, é freqüentemente feito à partir da superfície e aceita uma margem de erro muito pequena. A hipóxia, a intoxicação ou o envenenamento dos trabalhadores devido à falhas neste controle, têm feito vítimas em todo o mundo. Os agentes causais mais comuns são o próprio oxigênio, o nitrogênio, o monóxido e o dióxido de carbono e a poluição (contaminação) dos gases “respirados” pelos mergulhadores.

Síndrome Neurológica das Altas Pressões (SNAP)

É um fenômeno atribuído tanto à um efeito direto das altas pressões hidrostáticas quanto à ventilação (respiração) do gás hélio sob altas pressões, como ocorre no mergulho à grandes profundidades. Este tipo de mergulho é definido como mergulho de saturação e se realiza à partir de 50 metros em diante, quando, devido ao efeito narcótico do nitrogênio, já referido, os mergulhadores respiram uma mistura de gases, sem nitrogênio, composto de hélio e oxigênio chamada, Heliox.

A síndrome se manifesta por sonolência, tonteira, náuseas, e tremores generalizados com descontrole dos movimentos finos.

É oportuno lembrar que:

  • A expressão mergulho de saturação se deve ao fato de que, respirando uma mistura de gases por um longo tempo e sob uma pressão progressivamente elevada até um limite pré-determinado, o mergulhador chegará à uma situação na qual a quantidade de gás dissolvido em seu sangue será igual ou estará em equilíbrio com a quantidade também dissolvida em seus tecidos (células). Nesse ponto dizemos que o mergulhador está saturado*.
  • O gás hélio, sendo menos denso que o ar, produz ao ser respirado, uma vibração diferente das cordas vocais, resultando na folclórica "voz do Pato Donald" do mergulhador.
*Gráficos da pressão dos gases nos tecidos e no sangue.

Osteonecrose

É uma doença degenerativa, silenciosa e incapacitante, que acomete principalmente mergulhadores de saturação ou que já tenham sofrido episódios de Doenças Descompressivas. Tem sido atribuída tanto a intoxicação por oxigênio quanto a intoxicação por hélio e tambem as embolias aéreas, gordurosas e até à fenômenos osmóticos. Ocorre uma destruição e necrose asséptica em áreas específicas de ossos longos dos membros e superfícies articulares, especialmente no fêmur, articulação da bacia, úmero, articulação do ombro e na tíbia, sendo necessário afastar o mergulhador definitivamente da atividade profissional quando a doença é constatada.

Osteonecrose Ressonância nuclear magnética
de osteonecrose asséptica de cabeça de fêmur esquerdo

Apagamento

É provavelmente a causa mais freqüente de morte em mergulhadores amadores e profissionais adeptos do mergulho em apnéia (desequipado). Antes de iniciar o mergulho, muitos mergulhadores tem o hábito de hiperventilar repetidamente, na perigosa ilusão de aumentar a quantidade de oxigênio no sangue e com isso prolongar o tempo de fundo. Tudo o que conseguem na verdade é diminuir a tensão parcial do gás carbônico no sangue, retardando o sinal de alerta ativador do centro respiratório, que é o próprio CO2. Quando mergulhados, a pressão parcial do oxigênio na circulação cerebral será suficiente para manter a lucidez por algum tempo, mas a pressão parcial do CO2, excessivamente baixa devido à hiperventilação inicial, levará mais tempo para atingir o nível necessário para "acordar" o centro respiratório e provocar nos mergulhadores a necessidade de respirar outra vez. Enquanto isso suas reservas de oxigênio no sangue terão sido consumidas e quando eles iniciarem a subida, com a consequente redução da pressão ambiente, não terão oxigênio suficiente para atingir acordados a superfície.

Apagamento
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